E eu continuo entediado...
poeira
33 minutos atrás
Que o céu me inspire

Banho de rio hoje, para lavar a alma...pegamos uma canoa e remamos até uma praia que surge quando a maré seca...pena que não deu para levar a câmera...muito roots o lugar...
Ouvindo muito Matisyahu...especialmente a música One Day, repetidamente...
Hoje eu tinha um texto amargo, pesado, sombrio para postar aqui, uma daquelas escritas miseráveis, infelizes...mas para que exatamente?? A vida vai bem...temos nossos erros que ás vezes nos deixam desanimados, mas a verdade que isso não importa, faz parte também do roteiro do espetáculo...Caminho sim com o medo das escolhas erradas, durmo com a saudade constante no coração...mas algo me diz que tudo vai dar certo no final...
"As grandes verdades só se comunicam através do silêncio." - Paul Claudel
Alguns filmes são mais difíceis de achar nas locadoras...por isso resolvi comprar pelo telefone de uma empresa ae...Escolhi O iluminado e Laranja Mecânica, do mestre Stanley Kubrick...estou comprando todos os filmes dele....
Lá fora, a chuva...mas dentro daquele quarto o calor, feito noite estrelada de verão...os corpos se derretendo em suspiros abafados, o peito inteiramente disponível, olhares e expressões como linguagem silenciosa do amor. Preocupações, medo ou vergonha, não faziam parte do nosso repertório .Naquele momento movidos apenas por desejos velados na superfície de nossa pele, a vida pulsava em nossas bocas, e o tempo corria inutilmente...a única ansiedade era aquele encontro se desvanecer, e isso estávamos dispostos a evitar...por tudo de mais importante...só almejávamos acordar pela manhã com a vontade de repetir tudo de novo, e de novo, e de novo...
É como se fosse um rio, desconhecido, com suas curvas incertas e mistérios...talvez um dia eu consiga me explicar, mas por enquanto a única certeza que tenho é a beleza desconcertante e tão difícil de ignorar...e eu continuo remando nesse rio, não sei aonde chegarei, e nem muito importa, só sei que ainda não estou preparado para o destino que esse barco me conduz.......
Quando ela pensa nele tudo fica confuso, indecifrável. Não consegue entender o que se passa dentro do abismo do seu coração. Ele pra ela tem a mesma sensação de uma manhã chuvosa, preguiçosa, debaixo dos lençóis, em um quarto escuro com a pessoa amada ao lado e apenas sussurros de amor casando perfeitamente com o barulho da água escorrendo pela calha. O que antes era um sentimento acanhado, quase imperceptível, sem nenhuma pretenção, hoje se tornou um sentimento bom, e isso basta para ela, mesmo sabendo que seus caminhos não serão mais os mesmos...
Noite de sábado...os corações batem descompassados. Solitários. Uma mistura de sentimentos diversos. Gargalhadas. Lágrimas. Pessoas buscando preencher lacunas no seu interior ou amenizar seus desejos. De longe a música alta, a dança, o suor...a distração. E eu aqui recluso, em um mundo só meu...e a canção que ecoa aqui dentro é calma, é lenta...é quase fúnebre...
O filme do mês pra mim se chama Elegy ou fatal na versão brasileira do título. Um dos melhores filmes de drama que assisti ultimamente. Ben kingsley e Penélope Cruz estão maravilhosos contracenando juntos. Em baixo segue a sinopse...
Havia algum tempo que ele não a encontrava...mas aquele sorriso inefável no rosto dela era impossível esquecer, estava imortalizado em sua mesa de cabeceira. O seu quarto cinza opaco era uma descrição materializada do seu eu interior...era seu refúgio, uma penumbra medonha, mas ao mesmo tempo convidativa. Ali seus pensamentos voavam para longe, sua mente transcendia seu corpo, e após um hiato de idéias, ele saiu desse torpor e começou a refletir...pensou a vida como se fosse um tabuleiro de xadrez, onde todas as pessoas que conhece são as peças. A vida não é uma inércia, os relacionamentos nem sempre são para sempre, ou seja, a vida é movimento. Ele tinha que estar preparado para essa verdade. Seus amores passados, seus amigos, ou conhecidos não deixaram de existir, apenas mudaram de espaço, um ciclo, uns se afastam outros se ajuntam, mas todos estão no mesmo tabuleiro. Após uma breve pausa, ele se sentiu um pouco melhor, mas a saudade já havia feito morada em seu coração, e ele como a peça maior desse tabuleiro sucumbia a cada segundo, a não ser que.....
Hoje é sábado, mais um sábado deprimente para minha coleção...Aqui no Oiapoque não há nada para se fazer, não existe lugar para jantar, muito menos um restaurante chinês. (é pedir demais né?)...O que eu sempre faço é alugar um batalhão de dvds, e assistir até meus olhos doerem e fecharem espontâneamente...mas com sou um tanto viciado em filmes, é como se eu tivesse uma grande quantidade de drogas esperando para serem fumadas eufóricamente... hã???
O filme do mês pra mim é O Escafandro e a Borboleta...
Eu havia chegado de ônibus em Belém por volta das 11 horas da noite. Ali mesmo na rodoviária comprei minha passagem de navio para Macapá no Amapá. Para a infelicidade, estava lotado os camarotes, minha única opção era viajar de rede. Feito isto, peguei minhas duas bolsas e fui em busca de um lugar para dormir ali perto mesmo. Duas esquinas depois virei à direita na Rua 1ª de Queluz driblando bêbados e putas, cheguei no Hotel Sol. Pedi o último quarto disponível por 35 reais, era um cubículo com apenas uma cama de solteiro, um criado-mudo com um ventilador em cima, e um banheiro sem porta. Estava muito cansado da viagem que teve origem em Anápolis, mas mesmo assim demorei a pegar no sono. Pela manhã às 10 horas, eu iria embarcar em um navio de nome Coronel José Júlio no Porto Mundurucus, mas antes iria comprar uma rede e cordas, não fazia nem idéia de como amarrar. Chegando ao porto, passei pela rampa de acesso, entregando meu bilhete, e fui logo pedindo alguém para me ajudar armar a rede no meio de um monte de outras redes, uma por cima das outras. Então um homem que já estava deitado fez esse grande favor. Conheçi algumas pessoas ali mesmo, todas bacanas. Ainda bem pois iríamos passar 1 dia ali amontoados. A viagem transcorrendo bem, o sol já ia embora deixando a noite nos abraçar, o rio amazonas exuberante, misterioso. Para distrair, troquei idéias valiosíssimas, e reflexões enriquecedoras. E durante uma conversa no parapeito do navio, alguém que estava longe da pessoa amada mas que já estava indo ao seu encontro me disse: -Apesar de tudo, meu coração está totalmente aqui, eu estou inteiro aqui. Pensei um pouco e disse: - Eu não!! Meu corpo está aqui, mas meu coração não está, e a cada segundo que passa estou mais longe de quem eu amo! Conversamos até 1 hora da manhã e fui dormir na rede, sabendo que seria uma noite mal dormida pois não era acostumado, mas naquela hora não importava, nada importava. Eu estava sentindo meu coração apertar pela falta de alguém...
Passou o natal e o réveillon e não postei nada sobre toda essa confraternização mundial,também não postei nada sobre as novas regras do português, que por sinal não prestei atenção no telejornal, que em 2 minutos tentou nos reeducar, e por isso posso me considerar ruim na escrita a partir de 2009...Ah! E Feliz Ano Novo...muito caos na vida de todos nós...estou brincando!! Desejo muitos Blowjobs!!
"Desde então a tive na mémoria com tamanha nitidez que fazia dela o que queria. Mudava a cor de seus olhos conforme o meu estado de ânimo: cor de água ao despertar, cor de açúcar queimado quando ria, cor de lume quando a contrariava. E a vestia para a idade e a condição que convinham às minhas mudanças de humor: noviça apaixonada aos vinte anos, puta de salão aos quarenta, rainha da Babilônia aos setenta, santa aos cem. Cantávamos duetos de amor de Puccini, boleros de Agustín Lara, tangos de Carlos Gardel, e comprovávamos uma vez mais que aqueles que não cantam não podem nem imaginar o que é a felicidade de cantar. Hoje sei que não foi uma alucinação, e sim um milagre a mais do primeiro amor da minha vida aos noventa anos."
Agora são 23:45 e meu sábado não foi lá essas coisas...poderia ter saído por aí sem rumo certo, mas resolvi ficar o dia inteiro em casa assistindo 4 filmes, um atrás do outro...e quero comentar sobre o último...Caçada Sangrenta com o sem-expressão Steven Seagal...sim, eu fujo desse tipo de título....mas como era com o Steven, resolvi assistir...ele, sozinho, socou, chutou e quebrou os ossos de milhares de bandidos, e detalhe, sem expressar nenhum sentimento, nem uma caretazinha para nos mostrar que está sendo um pouco difícil enfrentar com seus golpes de aikido, Karatê ,sei lá, 5 caras em um bar de quinta ...não precisa nem falar que ele era um policial em busca de algum vilão assassino... típico...
O que eu mais tenho feito é contar os dias...sim, todos vazios...dizem que no amor idealizar é sofrer, fico portanto aqui sonhando, imaginando como estará aquele sorriso, aquela pele macia, o arrepio, o êxtase...passo horas viajando, deitado ou sentado, não importa o lugar, fantasio o beijo, os aromas, os gostos, o corpo, o mais lindo que já vi...passeio por cada parte dele, que saudade estrondosa, meus pensamentos ardem diante de tantas sensações...para me acalmar, leio cartas antigas na ordem cronológica que foram enviadas, e relembro cada detalhe que vivemos, cada assunto que compartilhamos, e é simplesmente impossível desviar meus olhos de você...
Cá estou eu, turbilhões de idéias loucas e belas jorrando a cada segundo, com rapidez e intrepidez...não ter medo de viver o momento com intensidade,essa é a minha cura, me faz prestar a atenção nos pequenos detalhes da vida, e não nas ilusões, coisas que talvez nunca se realizem, mas que se vivermos com tranquilidade, quem sabe não nos alcance um dia...
Recostou sua cabeça naquele sofá vermelho, bem localizado na sala de estar...seu corpo e mente pesados, viajavam para um passado não muito distante, e na mesma hora ele sentia indescritível angústia. Tentou relaxar. Mentalizou algumas amarras que o prendiam, e na mesma hora afrouxando, imaginou a tensão corporal se desfazendo, indo embora aos poucos. Ele repetia, apenas movendo os lábios que o único verdadeiro progresso é o interior, frases que havia lido recentemente começavam a despencar em sua direção, sua memória reacendeu...imagens passavam correndo ao seu lado, e uma parou na sua frente, ele estava com os pés na areia, o céu nublado, indeciso, a água salgada daquele mar batia em suas pernas e voltava a recolher, as ondas estavam calmas...um olhar longe, tentando enxergar o fim do que se apresentava na sua frente, e derrepente saudade, um oceano o separava de seus melhores pensamentos. Alguém se aproximou devagar, ele conseguiu ouvir o barulho dos passos, virou apenas sua cabeça e seus olhos arregalaram. Se sentiu confuso, não era possível, já estava embriagado com aquele sonho, não sabia em que realidade se encontrava. Ele queria abandonar-se naqueles braços por um tempo maior que aquelas águas...mas quando foi tentar tocá-la, ela desapareceu. A verdadeira realidade caiu sobre sua fronte, ele estava sozinho naquela sala, solidão apenas...quando abriu os olhos, o fio de uma melodia ecoando bem baixo, quase imperceptível pela casa, e o silêncio o acalmando, o confortando..............
Hoje, em vários momentos do meu dia, fui nostálgico ao extremo (A nostalgia sempre que pode invade meus devaneios, né Bebel?!)...senti falta na minha vida de alguém que continua especial, mesmo eu fingindo pra todos que não..mas e dái né??!! Deal with it, fool!!
Quando ele percebeu, estava caminhando sobre um jardim de magnólias, todas brancas.
"Ainda deitado, ele podia sentir o cheiro forte naquele quarto escuro, restos de bebida,comida e luxúria da madrugada anterior. Na mesa de cabeceira, um portrait em p&b, alguém de um passado remoto...Ao olhar para o lado, podia ver um fio da luz do sol insistindo em entrar por uma fresta na janela de madeira. Já passara das três horas da tarde. Era uma tarde quente de um domingo qualquer. Na cama, os lençóis brancos ainda formavam o contorno do corpo dela. Ao perceber sua ausência, se assustou, mas logo entendeu quando escutou o barulho do chuveiro ligado. Levantou da cama, e empurrou a porta do banheiro, que estava apenas entreaberta. A silhueta exuberante daquela mulher o fez permanecer em pé parado sobre o chão frio, extasiado, apenas observando por alguns minutos antes de adentrar por completo. A água corria, contornando suas curvas, seus dedos, afundados em seus cabelos negros, passeavam por sua cabeça , e seus olhos cerrados, absorviam aquele momento efêmero. Com um pequeno susto, ela diz: - A quanto tempo estás parado aí?
Hoje me deu vontade de falar sobre alguns filmes...
É como se estivesse caminhando dentro de um deserto interior, e derrepente, de surpresa me deparo com um abismo cheio de sombras e névoas, o vazio, uma lacuna na minha vida, e apenas uma linha tênue ligando um lado ao outro, do tamanho da minha solidão. Para atravessar o nada, descobri que preciso me esvaziar, me livrar dos rótulos e preconceitos que nos deixam pesados, fechar os olhos para o espetáculo melancólico. Profano. Deixar de prestar atenção no barulho desse mundo, e se concentrar nessa jornada da alma, de descobrimento, poder conviver entre o real e o imaginário sem esfriar o coração ou cair na loucura...
Em um antro empoeirado cheio de livros não lidos por ninguém de uma escola qualquer no fim do mundo, estava lá, abandonado,Franz Kafka, grande escritor tcheco, junto a uma coleção de um romance barato que não lembro o nome. Imediatamente resgato A Metamorfose daquele lugar injusto, errado seria deixá-lo lá, para cair no esquecimento, e acabar não servindo seu propósito maior. Assim fiz também com o françês nascido em Bordeaux em 1936, Georges Perec, autor da obra prima A vida modo de usar...os americanos também não ficaram para trás nessa missão de salvamento, Thomas Pynchon,escritor de Vineland, é o resgatado, e como não poderia deixar de lado o seu afilhado, Magnus Mills, autor de Bestas Encurraladas, recheado de um humor negro brilhante.

